amizade

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E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e porque estava nu, tive medo e escondi-me. Gênesis 3:9-10.

A bíblia sagrada carrega na simplicidade aparente de seu texto uma profundidade inesgotável de significados, uma vez que para além da letra, carrega o Espírito D’aquele que a inspira.Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça. 2 Timóteo 3:16.

A passagem de Gênesis em destaque no nosso texto, por exemplo, traz consigo um cenário que implicaria em consequências, não só para o destino do homem como para o do próprio Deus, tendo em vista a relação entre Seu poder, Seu caráter e essência.

A relação está aqui sublinhada pelo fato de ser Deus o todo poderoso e as complicações que podem ser geradas a Ele só podem acontecer, ou vir a existir, dependendo da forma como Ele exerce ou se relaciona com todo este poder que possuí. Por outro lado, a forma como o Senhor se relaciona com o fato de ser detentor de todo o poder, também tem o poder de revelar Seu caráter e essência.

A cena narrada pelo texto de Gênesis é composta de algumas características. A primeira destas características que gostaria de destacar aponta para o interesse de Deus no homem. “E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?” Temos aqui o Senhor aparentemente surpreendido pela ausência de Adão. Ele está, mas alguém não está mais, e A’quele que é, o “Eu Sou”, age na direção d’aquele que já não está.

É interessante saber que a ausência de Adão não passa de modo indiferente diante de Deus,e aqui já podemos começar a perceber Seu caráter e essência, Deus se importa com o homem, como o salmista nos revela. Pergunto: Que é o homem, para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes? Salmos 8:4.

Porém, este cuidado de Deus com o homem não acontecerá sem custo para o próprio Deus, uma vez que, para andar em direção ao homem Deus já começa a trilhar o caminho do esvaziamento. O Deus onisciente se encolhe ao mundo dos questionamentos como se ignorante fosse – onde estás? – para começar o resgate do homem que agora o ignorava não sabia mais quem Deus era.

A ignorância do homem em relação a Deus fica evidente pela atmosfera do medo que envelopava o seu coração e a sua mente em relação a Deus, uma vez que o pecado já o havia matado para a dimensão daqueles que podem conhecer Deus e ver o Seu reino. Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados. Efésios 2:1. O amor já nos era suspeito e inacreditável. Deus havia se tornado um estranho, e o que é pior, um estranho poderoso.

Esta atmosfera de medo é perturbada pelo Amor- pela voz do Amor. Pelo amor que vai atrás de quem nem o reconhece mais, Deus envia Sua palavra, o Verbo, para encontrar quem não está mais, quem já não é mais, uma vez que todo aquele que existe, só pode ser em Deus. Pois nele vivemos, nos movemos e existimos. Atos 17:28ª. E a maneira pela qual Deus envia Sua palavra surge na forma de uma pergunta a qual também é, ao mesmo tempo, a resposta para quem está perdido.

Quando Deus diz “onde estás?” isto não deveria apontar para a ignorância de Deus, pois Deus sabe de tudo, mas servir de referência para o homem que, diante desta questão, poderia ter a consciência de que agora estava perdido, não obstante estivesse no mesmo jardim de sempre, mostrando-nos que nosso lugar não está fora de nós, mas dentro de nós. Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós. Lucas 17:20-21.

A nova condição do homem pecador que o torna velho, o velho homem, o desgraça tanto que, diante da palavra de Deus, o Verbo de Deus que tem como objetivo refazê-lo; trazê-lo de volta ao Seu Reino, o homem a vê como uma ameaça, um inimigo. E diante de um inimigo poderoso, o que fazemos é nos esconder: “tive medo e escondi-me”.

Tornamos-nos inimigos de Deus, cegos para o Deus que quer ser nosso amigo, e não um inimigo que busca nos destruir. Mesmo os discípulos de Cristo demoraram a perceber isto. Vendo isto os discípulos Tiago e João, disseram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir (como Elias também fez?) Ele porém, voltando-se, repreendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espírito sois.Pois o Filho do Homem não veio para destruir as vidas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia. Lucas 9:54-56.

Se julgo-me um discípulo da palavra de Deus e esta palavra gera em meu coração inimizade para com o outro, ainda que possa gerar no coração do outro inimizade em relação a mim, preciso repensar minha condição, pois, a verdadeira palavra de Deus encarnou para acabar com a inimizade, e não para ser fonte de inimizade em meu coração em relação ao próximo. Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz. E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. Efésios 2:15-16.

Aprendemos a duras penas que a palavra de Deus em nossa boca e em nossa vida deve soar como um rogo do próprio Deus em direção às pessoas, para que elas caminhem em direção à concórdia e não à discórdia. Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer. 1 Coríntios 1:10.

Ora, este mesmo pensamento e este mesmo parecer não acontecerão enquanto nosso objetivo-como no caso dos discípulos de Jesus no caminho de Samária, mesmo na companhia da Verdade e a serviço da verdade – for o de trazer fogo de julgamento para destruir as pessoas, ao invés de ser boca de Deus para salvá-las.

Uma vez que é um fato, que a verdade possa estar com apenas um individuo, ela porém, só poderá gerar vida na relação com o outro. Pois a relação com o outro é a maneira onde aprendemos e compartilhamos da essência amorosa de Deus e do espírito da cruz, da qual brota a ressurreição que dá vida. Pois se Deus fosse sozinho não precisaria ter morrido numa cruz, mas por que Ele quis ser nosso amigo e escolheu a relação, a Verdade foi crucificada em favor da amizade, para ressuscitar de forma irrefutável. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. João 12:24.

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Qualquer filho de Deus deve atentar para este fato: a verdade não pode ser construída de forma comunitária, a não ser por meio das relações de amor. Seu inimigo não dará ouvidos ou se converterá à verdade que sai de sua boca, enquanto não for convertido em seu amigo. Como o marido incrédulo, não dará crédito à verdade da palavra de Deus, enquanto não for cativado pela amizade da esposa crente. Semelhantemente vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos; para que também, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavra pelo procedimento de suas mulheres. 1 Pedro 3:1.

Adão fez o que era errado, desconfiou do caráter de Deus, o teve por mentiroso; entregou a criação – que era como um enxoval de Deus para o homem – à sujeição do mal. Pensou diferente de Deus, rompeu sua relação com Deus, com sua ‘esposa’ que deixou de ser ele, para ser a parideira de todos os seres humanos.

Porém, Deus não veio apenas expor a verdade da Lei que diagnosticava que Deus estava certo e todo homem errado. Como está escrito: Porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado. Romanos 3:20.

Antes, o que Deus faz é preparar o terreno da verdade com a Sua graça. A graça que diz que mesmo em face de estarmos errados, Deus nos ama e nos quer como amigos, como filhos, e isto ao custo do sacrifício do Filho de Deus. Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós o ministério da reconciliação. 2 Coríntios 5:19.

Portanto, se a nossa verdade serve apenas para dizer que estamos certos e os outros errados,e que o errado deve ser condenado à nossa inimizade e ao fogo destruidor de Deus; se a nossa verdade não é precedida pela graça de Deus, que besunta; que ungi as vidas com o óleo do amor, esta verdade não vem de Deus, vem do homem, vem de Moisés e não de Jesus, vem da doutrina religiosa e não do Evangelho. Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. João 1:17.

Como discípulos de Jesus Cristo, que possamos exercer o ministério da reconciliação, cheios de graça e de verdade, oferecendo misericórdia de Deus aos errados, uma vez que carecemos da mesma misericórdia, tendo em vista que errados é o que somos. Pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma, pois já demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado. Romanos 3:9. Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos. Romanos 11:32.

Que o Senhor nos dê a lucidez de fazermos amigos para que estes conheçam a Verdade, ao invés de usarmos a Verdade para produzir inimizade, mesmo que isto nos custe “um qualquer”. Eu vos digo ainda: Granjeai amigos por meio das riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. Lucas 16:9.

Na graça bruta do Amigo,

Alexandre.

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