a salvação do sentido de ser salvo

Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Apocalipse 2:4.

Victor Frankl dizia que cada tempo carrega em si sua própria neurose. Passamos pela neurose sexual de Freud, pela síndrome de inferioridade de Adler, e Frankl profetizou que viria o tempo da falta de sentido para tudo, a esperada neurose do sentido.

Tempestades-da-Mente

Vivemos numa sociedade que desfruta das melhores condições jamais experimentadas por qualquer sociedade anterior à nossa. Os avanços tecnológicos de nossos dias proporcionam facilidades e comodidades. Somos a geração do controle remoto, do microondas, da cadeira-massagista, do carro que se dirige, das compras pela internet e paradoxalmente a tudo isto, vivemos uma sociedade descontente e insatisfeita.

Se compararmos os últimos dois séculos, seus avanços e possibilidades, com as condições experimentadas pelos nossos antepassados que viveram nos cinco mil anos anteriores, nos quais o principal meio de locomoção da humanidade era o cavalo, deveríamos estar contentes pelos simples fato de termos água fluindo quase de forma mágica em nossas torneiras.

Alguém pode dizer: Nem todos desfrutam desta condição. E eu serei obrigado a concordar. Mas, não podemos nos esquecer de que isto é o subproduto de uma sociedade insatisfeita e gulosa, que segue seu caminho de gafanhoto e que depois, no fim de sua jornada se pergunta: Para que serviu minha vida? São assim as veredas de todo aquele que usa de cobiça: ela põe a perder a alma dos que a possuem. Provérbios 1:19.

Do mesmo modo que a injustiça é subproduto de nossa insatisfação, a falta de sentido nasce da digestão rápida de coisas nas quais buscamos nossa segurança e realização. Mas, por não ser Deus, essas coisas que procuramos tornam-se em potestades, que acabam por aprisionar aqueles que se devotam a elas. Porque o Senhor será a tua esperança; guardará os teus pés de serem capturados. Provérbios 3:26.

No mundo que jaz no maligno esta é a regra, porém devemos atentar para o risco que isto pode representar para a igreja. Aliás, talvez não deva nem mais ser considerado um risco como foi dito, porque possivelmente já estejamos percebendo essa realidade em nosso meio. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências. 2 Timóteo 4:3.

Por esta razão, podemos testemunhar com certa facilidade, pessoas lotando prédios por estarem cegas pela expectativa de encontrarem sentido para as suas vidas nas coisas, sem consciência no cultuar e usurpando com isto o sentido da palavra Igreja: Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Romanos 12:1.

Quando agimos assim, Deus torna-se apenas um meio para alcançar coisas – na busca da paz, da saúde, da proteção, do emprego, do sucesso no concurso, do casamento ou do ministério. Essas realizações tornam-se, de fato, a verdadeira finalidade. É o famoso “Da-me os bens que me cabe.” em detrimento da comunhão com o Pai. Mas na igreja, existe uma diferença em relação ao mundo, o desejo pelas coisas em detrimento da comunhão, é justificada por uma síntese perversa com a fala que diz: “A quanto tempo te sirvo sem jamais desobedecer uma de tuas ordens.”

Este é o mal que podemos reconhecer na igreja atual, e visto que ela é formada de gente, se tivermos coragem, não será difícil encontrarmos este mal em nós. Talvez a igreja nunca foi tão atuante do ponto de vista das capacidades humanas. Quanta influencia nós temos? Quanto dinheiro gastamos? Quantas ações promovemos? Porém, quanta falta de poder no Espírito para testemunhar de Cristo, fruto de uma vida bem comportada, mas sem relação com Deus o Pai.

O famoso escritor da área empresarial Gerald M. Weinberg, dizia que o consultor de uma empresa jamais poderia cometer o erro de cobrar barato pelo seu diagnostico e sugestões de mudanças. Para não correr o risco de que suas recomendações não fossem postas em prática. A lógica é simples. Quanto mais rigorosos e caros formos, mais valorizados e ouvidos seremos.

Falamos assim, pois ao contrario do que se pode pensar, a falta de sentido não gera inatividade. A inatividade é fruto de outras realidades, como a depressão, o medo, o cinismo, a preguiça, a desonestidade, ou ainda como antítese do discipulado de Cristo. Ora, se eu, sendo Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. João 13:14.

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Antes, a falta de sentido gera desespero por sentido, e esta é para mim a razão da igreja moderna ser tão agitada e barulhenta. Sendo assim, quanto mais exigente e onerosa for uma religião, fará mais sentido o oneroso trabalho do desesperado por sentido. E por avareza farão comercio de vós com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. 2 Pedro 2:3.

Esta é a idéia para qualquer um que deseja fundar uma religião, ou adaptar a uma religião já existente um conceito que promoverá o seu sucesso. Promova um culto voltado para as necessidades imediatas das pessoas. Treine uma liderança controladora de tal forma que ela seja capaz de se apresentar como consciência para as pessoas – como uma espécie de guru indispensável.

Trate de tornar a experiência dos fiéis, difícil e intensa, com cobranças, desempenho e muitas atividades, contrariando Jesus quando diz: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. Mateus 11:28-30. Sem se esquecer de erigir um altar a Baal adaptando, é claro, o nome da sua divindade de preferência, Maomé, Buda ou até mesmo Cristo.

Mas, continuemos a ver o que a palavra diz em relação a estas coisas. No que diz respeito à religião, Jesus não fundou nenhuma, antes diante de todo o aparato religioso de seu tempo disse: …Derribai este templo, e em três dias o levantarei. João 2:19. Com relação às necessidades imediatas disse:Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Lucas 12:29-31.

Ainda com relação ao controle, vemos Deus dizendo: E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente. Gênesis 2:16. A liberdade é uma ordem divina. Esta era a unção que estava sobre Jesus o Cristo, a unção para nos libertar. O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos. A pôr em liberdade os oprimidos. A anunciar o ano aceitável do Senhor. Lucas 4:18:19.

Qual o sentido afinal de sermos salvos? É sermos controlados? Existia uma raça sem controle e Jesus veio morrer numa cruz para ter o direito de poder colocar um cabresto nestes indomáveis? Como ressaltou Jose Comblin, quando criticou a postura da igreja católica de entender sua missão como sendo o reducionismo de evitar que seus membros pecassem. Por que Deus não usou deste expediente em Adão? Por que Jesus não impediu que Pedro o negasse?

O que é de fato ser salvo? Será que é a repressão acética de todos os desejos da carne como o Budismo ensina? Se assim fora nosso ideal de salvação deveria ser o coma induzido, produzido pelo cálice da religião transbordante de Dormonid, servido com pão de papoulas no templo das religiões que têm prazer em ser anti graça, anti cruz e anti Cristo, pois trabalham no sentido contrario ao ministério de Jesus que é amor.

Ser salvo é antes de mais nada ver (Jo 3:3), num deslumbrar de um novo nascimento no qual nos é dada a Luz de Cristo, e podermos então ver o Seu Reino. Salvação é consciência da verdade conhecida relacionalmente na comunhão com Cristo, e não um conhecimento doutrinal do certo e do errado. Até porque, o aferidor de tudo é a santidade de Deus e não nosso comportamento.

Só quando recebemos esta revelação, é que podemos compreender Jesus o Senhor, que tem nas mãos o poder e a autoridade sobre a igreja; que conhece cada detalhe de sua atuação, e mesmo diante de uma igreja como a igreja de Éfeso, comprometida com o trabalho, a paciência, com a verdade sobre identidades daqueles que servem a Deus, com a capacidade e a coragem de discernir o verdadeiro do falso, experimentada no sofrimento ser chamada ao arrependimento uma vez que havia despertado a oposição do próprio Cristo “ Tenho porém contra ti.” Visto que uma igreja com tantas qualidades não deveria despertar tal oposição.

O que contraria o coração de Cristo, é tudo o que não carrega a essência da cruz, e a essência da cruz é o Amor. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16. Perecer é não amar. Quando não amamos tudo perece, deixa de ser, perde o sentido.

Nesta situação podemos fazer tudo certo que não valerá de nada, não terá proveito algum. Podemos pregar a palavra de Deus, desenvolver cultura, tudo isto será vão. Até a fé capaz de ser demonstrada de forma gloriosa, perece. A caridade o autossacrifício na fogueira desprovido do Amor, que é a santidade de Deus, é o mesmo que nada. (1 Coríntios 13).

Mas o bom de ser igreja é isto, em Cristo Jesus somos chamados a consciência de nossa condição, sempre em tempo de nos arrependermos. O Amor é que dá sentido à nossa vida. O amor é o que nos salva, portanto ser salvo é amar, ser salvo é ser em Deus. Sem amor, ainda que façamos tudo certo, tudo estará perdido. Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, eu nada seria, seria apenas um coração duro, agitado, barulhento e vazio como um sino. 1 Coríntios 13:1. (Tradução livre). Quem tem ouvidos ouça.

Na graça bruta daquele é a nossa salvação,

Alexandre.

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