do Deus das sombras ao Deus que derruba os templos

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Respondeu-lhes Jesus: Derribai este santuário, em três dias o levantarei. João 2:19.

Conversando com uma pessoa na faculdade, resolvi questioná–la sobre uma afirmação que ela havia feito em sala de aula, em que ela disse crer apenas naquilo que é matéria. Resolvi, em primeiro lugar, entender melhor sua afirmação, e saber se ela entendia o que estava afirmando em todos os desdobramentos que tal fala carrega em si.

Ao questioná-la, reiterou sua palavra, e me disse que era assim mesmo que funcionava sua maneira de ver a vida, a dura e fria visão materialista do mundo. Diante disto resolvi fazer algumas perguntas para posicionar não só minha curiosidade, mas também sua afirmação. A primeira delas foi: “Do que é feita esta cadeira aqui ao nosso lado?” Ao que ela me respondeu: “De Madeira”. “Sim”, respondi. “Mas antes dela existir aqui diante de nós, com estas formas e estas medidas, ela existiu em algum outro lugar?” “Sim, na mente de alguém.” Foi sua resposta.

“Você já parou para pensar que esta cadeira visível e material precisou antes existir na imaginação de alguém? E que se esta cadeira não existisse primeiramente no mundo das ideias – como Platão chamava este lugar – ela jamais existiria aqui diante de nossos olhos?” Sendo assim, não é certo afirmar que o visível, o concreto, foi feito do invisível, e portanto, devendo sua existência a um mundo que não se pode ver e nem tocar?”

Meio sem jeito ela disse: “Sim, concordo com você, sei que você é pastor e acredita nas coisas não tangíveis. O problema é que esta fala sobre ressurreição para mim não faz sentido”. Achei estranho ela dar este salto ontológico de uma cadeira para a ressurreição, mas sem deixar transparecer meu espanto respondi: “O que não faz sentido para mim é a morte.” “Como assim?”, perguntou-me ela. Disse eu: “Você está vendo aquele edifício?” “Sim”, ela respondeu. “Vamos fazer de conta que fomos nós os seus construtores.”

“Sendo assim, fizemos uma pesquisa, escolhemos o local, avaliamos os custos, contratamos engenheiros e arquitetos. Fizemos o projeto, a terraplenagem, contratamos os pedreiros, começamos a obra, investimos recursos altíssimos e depois começamos a desenvolver as estratégias de vendas. Sua publicidade, equipe de vendas, plantões com apartamento decorado, foi um sucesso comercial até que chegou o dia da inauguração.”

“Contratamos um buffet, chamamos a TV, convidamos os proprietários e fizemos a festa de entrega das chaves. No dia seguinte a tudo isto contratamos uma equipe de demolição e implosão. Eles fizeram os cálculos sobre a quantidade de dinamite e implodiram o prédio com sucesso. Recolhemos os entulhos, caminhões e mais caminhões de detritos da obra, fizemos tudo até deixar o terreno tal como encontramos no primeiro dia que o vimos. Depois devolvemos o dinheiro pago até então pelos clientes, e voltamos à estaca zero.”

“A pergunta que faço é esta. Faz sentido isto?” Ao que ela me respondeu: “Não, de modo algum.” Então lhe disse: “Do mesmo modo não faz sentido, nascer, existir, crescer, estudar, sofrer, trabalhar, criar, namorar, ter filhos, se a única coisa que esperamos depois, é a morte. Se o objetivo da vida é morrer, então que não nasça. Se o fim último da existência é não existir, então que não exista, e já estará cumprindo a sua finalidade.”

“Portanto, penso que não seria nenhum absurdo concluir, de forma lógica, que só faz sentido a vida humana se houver ressurreição, e se a morte não for o fim. Portanto, o que não faz sentido é a morte. E ela, a morte, é quem tem o poder de tirar o sentido da vida e não a ressurreição. Pelo contrário, a vida da ressurreição é quem pode dar sentido ao que fazemos e somos. Foi o que o apóstolo Paulo já havia afirmada quando disse:

Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. 1Cor 15:19.

Meio constrangida ela me disse: “Como falei anteriormente, sei que você é pastor e eu aprecio alguns valores morais da religião.” Dizia isto, pois pensava me agradar com estas palavras, como se eu confiasse na moral e na religião para a redenção humana. Ao que lhe respondi de forma amável, porém sarcástica. “O que você está me dizendo? Como você pode me falar de moral? Pelo que me disse, você não passa de uma pedra, e pedras não possuem moral. Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que morra viverá. João 11:25. Crendo faz sentido viver.

Esta é uma história que nos ajuda a entender melhor o mundo em que vivemos, cheio de afirmações sem chão, propondo uma vida sem sentido. Além disso, esta história está diretamente ligada à forma de pensar e ao espírito que ocupava o lugar no templo e na religião vazia pela ausência de Deus em seu conteúdo íntimo no tempo que Jesus propôs sua derrubada.

Se na história acima, o fim tira o sentido da construção no que se refere ao produto das sombras, cujo ápice era o templo, a única coisa que faz sentido é sua derrubada. Pois, de que adianta uma construção feita para Deus onde Deus não quer morar? O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens Atos 17:24.

A Bíblia nos ensina que o Antigo Testamento serviu como sombra da realidade. Sendo assim, apontava para algo muito maior em seu significado e conteúdo. Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados. Que são sombras das coisas futuras, a realidade porém encontra-se em Cristo. Colossenses 2:16,17.

Existem alguns problemas nas sombras. Em primeiro lugar, nas sombras os detalhes ficam ocultos. Nas sombras podemos tentar deduzir quem ou o que está se aproximando – se é gente ou um animal, homem ou mulher, alto ou baixo, e até arriscar um palpite. Porém, não nos será permitido ter a certeza de quem se trata. Além de ser impossível nosso relacionamento com quem quer que se aproxime, pois é impossível se relacionar de forma íntegra com uma sombra.

O segundo problema é que na sombra podemos até ter algumas informações adequadas, porém, qualquer construção que vá além do que a sombra pode nos fornecer, estará no terreno da possibilidade humana e suas construções. E no caso especifico que estamos tratando, a sombra que tem como objetivo a revelação progressiva de Deus, porém limitada por sua natureza de sombra, se não for entendida como sombra, propicia um campo para uma projeção de Deus que pode não representar a realidade. Isso gera, portanto, um espaço para construções que falamos, entre elas e a religião.

Na comunidade do segundo templo, Deus já havia sido definido, ou melhor, substituído, por um pseudodeus construído a partir das sombras. Já se sabia seu endereço- onde encontrá-lo. Sua aversão a pessoas sem importância era notória, visto que só alguns poucos podiam se dirigir a ele com legitimidade. Sua natureza poderosa era sem dúvida seu maior atrativo, porque interessava ao fiel acessar este poder, mesmo que este poder fosse fonte inesgotável de medo.

Aliás, para este deus das sombras e seus ministros, o medo era a garantia de devoção do povo para si, e a garantia do emprego aos que lhe serviam em sua casa feita por mãos humanas. Mais problemático ainda é quando a sombra ganha status de realidade e com o passar dos tempos se transforma em trevas, ao passo que, como na história acima o absurdo passa a fazer sentido, e aquilo que dá sentido à vida passa a ser absurdo e motivo de escândalo.

Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. 1Coríntios 1:23.

A religião cresce nas sombras onde as pessoas não podem ser quem são, caso contrário, seu deusinho não as aceitará. Vemos pessoas lotando as igrejas com seus corações repletos de ganância, esperando que seu deus as abençoe em suas cobiças, pelas quais estão dispostas a sacrificarem suas almas. Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Marcos 8:36. Muitosfrequentam templos onde nada do que é dito faz sentido, tudo parece um teatro mal ensaiado, previsível e sem vida. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens. Marcos 7:8A.

Bendito o dia em que da boca de Jesus, o Cristo, veio a ordem: Derribai este templo, em três dias o levantarei. João 2:19. Jesus falava de Sua morte e de Sua ressurreição. Sim, a Cruz de Cristo é o fim da religião que se ergue à sombra do espírito do templo onde se esconde toda ave de rapina. É o fim do velho homem que se esconde e se preserva nas sombras dos ritos que causam náuseas ao Senhor, das regras que são incapazes de trazer vida e um coração amante e perdoador. Porém, a boca escancarada do túmulo vazio é o erigir de uma vida nova cheia de sentido e propósito, onde somos feitos catedrais na comunhão dos irmãos em que habita o Deus vivo. Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 1Corintios 3:16.

Que o poder de Deus, que é seu Evangelho, imploda toda religiosidade vazia que serve ao espírito do templo deturpador de Deus, dentro de cada um de nós. De tal modo que sobre somente o Evangelho e Jesus o Cristo, em quem podemos de fato ver Deus como Ele é, e nós como deveríamos ser. E isto sem medo e sem sombra de dúvidas. Mas para a terra que estava aflita não continuará a obscuridade. O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu- lhes a luz. Isaías 9:1a e 2.

na graça bruta d’Aquele que é a vida,

Alexandre

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