TEOLOGIA DA DESCONSTRUÇÃO 1 – uma introdução

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O impacto de uma afirmação inusitada

Existe um desejo de controle da história tão grande no ser humano que pode ser comparado apenas com a sua real incompetência para controlá-la. A ideia de governo é tão forte em nós que desejamos controlar nossa história, a história das pessoas e de tudo o que nos cerca. Perceber tal impulso maníaco é um milagre, ao passo que alimentar tal postura de conformismo e aceitação é fechar os olhos para a realidade.

Podemos afirmar isto, pois é evidente historicamente a total falta de controle do ser humano sobre os desdobramentos da vida. Em algum dos meus escritos anteriores expressei o pensamento destacando a liberdade que homem tem para começar uma ação sempre associada à falta de controle sobre seus desdobramentos.

Neste exato momento eu vivo esta realidade. Quando me detenho diante do computador e me coloco a escrever, expresso a liberdade que tenho de expor meus pensamentos. Todavia, não tenho nenhum controle sobre o que será feito deles, para o bem ou para o mal. A única coisa que me faz ser tão atrevido é saber que existe Alguém que nunca perde o controle, e o governo está em suas mãos, além de saber que o que Ele demonstrou quando se revelou na história é que Ele é por nós, e não contra nós.

Sim, Seu caráter, Sua soberania, Sua bondade, além de seu amor demonstrado na história que foi dividida entre antes e depois Dele, no fato de sua crucificação – além de Sua vitória testemunhada por milhares na ressurreição. Sim, este fato é o que na realidade me dá a liberdade de poder ser eu mesmo e, num movimento contrário ao de Adão, poder ficar nu e expor minhas opiniões e pensamentos, fruto de minha relação com Ele e com Sua palavra. Sabendo que não sou mais refém da cadeia feita com as grades do conhecimento do bem e do mal, antes, fui liberto pela Vida para a vida.

Caso contrário, com a consciência que tenho acerca de minha impotência e falibilidade, a única coisa que me restaria era não me mexer, não viver. Ou então seguir o trilho da conformação com este aeon; caminhando junto com a multidão que busca a aceitação na passarela do mundo; aonde esperamos causar uma boa impressão não nos revelando, mas nos escondendo; na passarela que mostra só o que o mundo suporta e quer ver, farisaícamente empavonados; aonde o simples fato de parecer ser quem não se é nos faz antecipar a morte, visto que nunca vivemos de fato, morremos a própria existência tentando salvar a própria vida, sem saber que isto é de fato perdê-la, como bem nos avisou o Amor.

Mas convencido que estou do amor de Deus resolvi me arriscar e mostrar tudo o que de alguma forma começou a fazer sentido para mim e a cada dia ganha mais corpo. Mesmo que isto represente sair do trilho dos aceitos e mesmo que o tempo me mostre que eu estava errado. Um erro é o que me tornei em mim mesmo. Nada mais certo para um erro que errar.

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Mas, se o que habita meu coração, alma mente e espírito é um erro, quero ser um erro na luz, “Sendo”, sustentado pelo vitória de meu Senhor: aonde todo erro meu é d’Ele, e todo acerto d’Ele é meu. Aonde eu sou o Seu pecado, e Ele é minha santidade, sendo eu a Sua morte e Ele, a minha vida.

Com isto posto, sigo contando a história do impacto de uma afirmação inusitada. Há sete ou oito anos em uma viagem com uma pessoa muito amada ouvi uma expressão que teve um impacto muito forte em minha vida e em minha fé, e continua tendo. Trata-se de uma frase dita pelo professor Dr. Reinaldo Purin dita ao meu mentor e amigo muito querido, Glenio Fonseca Paranaguá, e naquela viagem ele resolveu compartilhar comigo. São as coisas que acontecem na vida sobre a qual não temos controle.

Depois de algumas horas de viagem conversando no carro, Glenio virou para mim e me disse a seguinte expressão dita a ele pelo Dr. Purin: “Nós estamos no inicio da interpretação do cristianismo.” Talvez, para muitos que possam estar lendo estas linhas tal expressão pode não significar nada, e talvez com razão. Mas para mim deste dia em diante minha vida e minha fé nunca mais seriam a mesma, mas isto é uma outra história. Continua.

Na graça bruta d’Aquele que financia a liberdade,

Alexandre Chaves.

3 Respostas para “TEOLOGIA DA DESCONSTRUÇÃO 1 – uma introdução

  1. Pingback: os primeiros desdobramentos da tal afirmação | graça BRUTA!·

  2. Deus de fato nos tras profundo assombro e nos estimula a pensar
    cada vez mais sobre o evangelho e o que o cerca,acho interessante tal pensamento caro alexandre a paz naquele que nos estimula no amor

  3. O mundo é uma insanidade e nós nos tornamos insanos quando somos coniventes com suas birras, sofismas, fruto da egolatria cada vez mais escancarada em todos os níveis da existência humana. Só o Cristo em nós pode rasgar estas vestes de horror e vergonha a fim de que nus, possamos receber vestes nupciais para a grande festa do Amor, que nos une ao amoroso noivo para uma eternidade que começa ao rés do chão, no vale, onde somos confrontado com o verdeiro milagre da vida: Cristo crucificado, morrendo a minha morte para que eu, um miserável, tenha Vida. Obrigado Alexandre, por nos abrir os olhos!

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