Je ne suis pas Charlie (Eu não sou Charlie)

charlie

Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando- se por sábios, tornaram- se loucos. Romanos 1: 20b-22.

Impressiona-me o nível de loucura e de completa falta de critério em que o mundo tem mergulhado em tempos de estupidez globalizada. Talvez isto ocorra como fruto de algo que para grande maioria é apenas o segmento do curso natural dos tempos, a mesma forma previsível que um rio evolui em sua trajetória até o oceano. Porém, alguns poucos sabem que isso faz parte de um esquema engendrado com o propósito de fazer das pessoas gado.

Sim, um rebanho que pode ser guiado na direção dos interesses daqueles que governam quem nos governa. E que assumindo o controle sobre os trituradores de consciência como, por exemplo, o, meios de comunicação em massa, com o pretexto de distrair, destroem nossa gente com sua novela, como bem ressalta o poeta, sem que nasça nenhum novo líder capaz de opor-se a este leviatã.

Até porque, a consciência do povo já está a tal ponto avariada que qualquer um que proponha como um conscientizador e que coloque em risco a audiência do último capítulo da novela, terá por parte de muitos toda oposição, pois a realidade para tais passou a ser aquela captada pela antena que captura o coração dos incautos, fazendo-os desejar a cadeia da qual deveriam ser libertos, sem sequer terem a desculpa de dizer que os Titãs não lhes avisaram.

Este tipo de reação infelizmente é algo compreensível, pois já faz tempo que preferem o ritmo que os fazem balançar os esqueletos do que pensar nas letras que cantam. Pois balançar os esqueletos é o que mais importa. Estão convencidos de que o que sinaliza a vida é o movimento e não a consciência; não se atentam para o fato de que, quando a única coisa que comunica nossa vida é o movimento e não a consciência, já deixamos de ser gente e nos tornamos verdadeiros zumbis.

Como os personagens do seriado The Walking Dead. Se fizermos algumas comparações verificaremos algumas semelhanças perturbadoras. Por exemplo, os zumbis do seriado também aparentemente são pessoas, porém são tratados como coisas que se movem e agem como coisas sem consciência. Lutam por suas vontades, agem em grupo sempre na mesma direção com o único propósito: satisfazerem seus ventres famintos. E quando levam um tiro na cabeça, não fazem falta alguma para o bom andamento do seriado, pois logo serão substituídos por outros zumbis que comporão a cena.

Do mesmo modo, este sistema do mundo não sente a falta de tantos que compartilham do mesmo infortúnio dos zumbis fakes do seriado, pois logo outros zumbis reporão a cena no cenário real onde vivem os zumbis de verdade. Mais uma vez a arte imita a vida – se é que podemos atribuir a uma existência deste tipo o status de vida. Neste caso, talvez, seria melhor dizer: a arte imita a morte, considerando que muitos existem privados da consciência e do sentido da vida. A existência passou a ser morrer e não viver.

Sim, o triturador de consciências cria uma espécie de Matrix, ou seja, uma ilusão com status de realidade capaz de gerar conforto enquanto dilui a alma humana e sua capacidade de pensar na realidade ou sequer desejá-la, pois viciados estão com a pílula azul fornecida pelos traficantes de ilusões e cabe as pessoas apenas engoli-las sem questionar.

Porém, como bem definiu Morfeu, esta Matrix está em tudo: na tevê, na academia – talvez aqui caiba uma nota, pois não estou me referindo a maromba, estou me referindo às faculdades e universidades – além de ser alimentada nos jornais, revistas, teatro, música, enfim, tudo. Se alguém duvida do estou dizendo nestas linhas, peço uma explicação para a inversão absurda de valores em nossos dias.

Na verdade, resolvi escrever estas linhas motivado pela pantomima alardeada pelos meios de comunicação em massa sobre o atentado ao jornal francês Charlie Hebdo. Sim, alguém me explica o que foi aquela passeata ridícula composta dos boiadeiros do mundo e seu gado, seu rebanho obediente hipnotizado pelo berrante que entoava o mantra de uma nota só “Liberdade de expressão, liberdade de expressão”?.

A estupidez chegou a um nível tal que me parece que as pessoas se tornaram incapazes de discernir a mão direita da mão esquerda. Tudo isso enquanto os poderosos do mundo zombam em suas salas bem localizadas, altas e protegidas, observando o espetáculo mórbido que acontece no mundo que virou um Big Brother, como se o mundo todo fosse seu aquário onde pessoas se tornam fantoches ávidos por mais uma manipulação e seu direito de ser é negado, os convencendo que suas existências são fruto do acaso e que, por isto, suas vidas não têm valor ou sentido.

Falo desta estupidez e sei que muitos acharão o mesmo que já disse até aqui, e talvez o que ainda direi, um absurdo. Vejamos. Imaginem a seguinte ilustração: um cidadão se acha no direito de ofender aquilo que é mais valioso para a vida de seu vizinho, sua esposa e filhas, além de sua própria honra. Então toda semana ele pega um megafone e começa a falar na frente da casa de seu vizinho para que todos ouçam ofensas vulgares e infamatórias do tipo: “sua mulher é uma vagabunda, suas filhas são rameiras, cadelas, prostitutas e você é um corno!”. Isto se repete muitas vezes mesmo diante de ameaças de retalhações não cumpridas por parte do vizinho ofendido. Até que um dia o cidadão cansado de ouvir tais impropérios resolve se vingar e, acometido por um lapso de loucura, resolve tocar fogo na casa de seu vizinho ofensor.

O que você diria, ou o que você faria? Tomaria as dores do homem com a casa em chamas, convocaria as pessoas de seu bairro, o padre da paróquia, o pastor da região, além de lideres comunitários para uma manifestação com faixas e camisetas escritas “Je suis délinquant ” (Eu sou ofensor)? E isto, não sem antes perseguir o vizinho ofendido até matá-lo? Se um homem invade a casa de alguém e vitupera e profana aquela residência estuprando a filha de um pai de família. E se este pai, ofendido na sua honra e esmagado pela dor da filha, resolve fazer justiça com as próprias mãos matando o estuprador. O que você faria ou diria? Tomaria as dores do estuprador, convocaria as pessoas de seu bairro, o padre da paróquia, o pastor da região, além de lideres comunitários para uma manifestação com faixas e camisetas escritas “Je suis violeur” (Eu sou estuprador)? E isto, não sem antes perseguir o pai de família até matá-lo?

O mau não se torna bem porque colheu os frutos de sua maldade. Continua sendo mau. É claro que não estou aqui defendendo a liberdade de expressão segundo o critério proposto pelos defensores do jornal francês, do qual fizeram uso os irmãos Kouachi ao expressarem livremente sua indignação matando os chargistas do jornal. Mesmo porque não vejo na liberdade de expressão um valor positivo em si. Penso que o valor da liberdade é conferido pelo seu conteúdo. Não acredito no valor da liberdade de expressão quando isto significa fazer o mal ao meu próximo. Principalmente quando isto gera uma ofensa tão profunda que coloque em risco a vida dos personagens, ou seja, tanto dos ofensores quanto dos ofendidos.

Estou aqui fazendo um clamor a lucidez, principalmente por parte dos cristãos e seus líderes. Não sejamos idiotas, engodados por qualquer vento de ensino ou doutrina como imbecis se curvando à pressão do “politicamente correto”; desejando com isso desesperadamente a aceitação de um mundo que o nosso Senhor disse que nos odiaria, por primeiramente odiar a Ele. Nós somos o sal desta terra. Somos a esperança deste mundo em trevas.

Caso contrário, quem dirá aos sábios e poderosos deste mundo que o que eles estão chamando de sabedoria é na verdade burrice, o que eles estão chamando de lucidez é na verdade loucura? Pois quem, em sã consciência, usaria uma camiseta dizendo: “Eu sou estuprador”? Mas é justamente o que eles estão fazendo, e nos odiarão por dizer a verdade, por expor sua loucura diante do testemunho de Cristo.

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Não sou a favor de violência como certamente me acusarão mais tarde. Sou a favor da verdade, pois nada podemos contra ela. Fato é que você nunca verá um verdadeiro discípulo de Cristo invadindo um jornal que vituperou o nome de Cristo para matar quem quer que seja (não se impõe a verdade à força). Verá, antes, como a grande nuvem de testemunhas da história nos mostra, um cristão sendo morto por anunciar com amor o Evangelho da Verdade àqueles que blasfemaram o nome de Deus, lhes oferecendo o perdão de Cristo e uma volta a sensatez.

Contudo, vejo pessoas usando a solidariedade cristã ao passo que  omitem a verdade de Cristo com a desculpa de fazer da fé em Jesus Cristo um discurso mais aceitável ao paladar de um mundo sem fronteiras inclusive para a verdade. Um cristianismo sincrético comum a todos é a transformação do evangelho numa religião universal e, por consequência, numa mentira com a finalidade de ser bem-visto por um mundo que odeia a verdade, porém a fé não é de todos como o apóstolo Paulo nos ensina, porque a fé não é de todos”. 2 Tessalonicenses 3:1-2.

Devemos sim ser solidários, mas sem deixar de chamar o mau de mau. Se os terroristas foram maus – e foram – também as pessoas responsáveis pelos insultos do Charlie Hebdo são tão perversas quanto. E só aqueles que amam a verdade em detrimento de sua popularidade e aceitação não terão medo de dizer o que é óbvio. Gostaria de ver assim uma mobilização para denunciar a armadilha de se chamar o mau de bom, e a manipulação dos idiotas úteis que, sem saber ou discernir, servem aos interesses do espírito anticristo e anticruz.

O que me dói é ver lideranças cristãs envolvidas nesta manipulação sórdida. Sem entenderem que transformar a fé em Cristo em uma fé aceitável universalmente, com a desculpa da unidade, é transformar a palavra de Deus em mentira, e isto não acontecerá a não ser a custo de um mundo escravizado numa Alcatraz feita com as grades da mentira pela privação da verdade que liberta. Sentenciando uma humanidade a uma subsistência infeliz, transformando o mundo todo num manicômio onde a verdade do Deus que é amor, e, por ser amor, é também a verdade que nos liberta para o bem, visto que estamos acostumados a fazer o mau, num ser ignorado para o bem da subsistência e perpetuação segura desta prisão e dos privilégios de seus administradores.

Precisamos entender que, quando apoiamos estas loucuras travestidas de lucidez, estamos sendo fantoches do príncipe deste mundo que quer perverter a verdade em mentira: propondo um céu na terra onde Deus seja desnecessário; um pseudo-evangelho que só pode ser uma boa notícia exclusivamente para o velho homem por ser um evangelho sem cruz. Além do mais, a Palavra de Deus, através de seu profeta, nos ensina: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo.” Isaías 5:20.

por Alexandre O. Chaves.

Uma resposta para “Je ne suis pas Charlie (Eu não sou Charlie)

  1. Aleluia! A Palavra de Deus, sempre é a Verdade, glória a Deus.
    Nós regenerados, não podemos ceder a qualquer atitude desnecessária de atitudes de pessoas que não são Filhos de Deus, mas sim, são filhos das trevas; E o Senhor que ira julgar cada atitude de cada um naquele Dia, o palco para o anticristo está montado, e nós, não devemos nos preocupar com tais atos, pois seus atos propriamente os condena. Graças a Deus que o Senhor nos libertou, pois um dia fomos do mesmo modo, mas, pela Graça de Cristo, fomos libertos desta nojeira. Aleluia, hoje, nosso interesse é nas coisas do Alto, onde Cristo vive, e intercede por cada santo aqui na Terra. Aleluia. Graça e Paz amigo e Pastor Morango.

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