o diabo não sobe na Cruz

Podemos pensar: por que insistir em um tema tão batido quanto à cruz de Cristo? Hoje é fundamental que a igreja e a teologia reflitam sobre o Cristo crucificado para mostrar ao mundo e as potestades a sua liberdade. Liberdade do ter, do poder, da aceitação alheia, da vã glória; liberdade para negar a sabedoria deste mundo aniquilada pela cruz, ou melhor, pela sabedoria de Deus que se expressa pela loucura que ela representa: Deus se permitir crucificar como a mais elevada expressão de sua sabedoria e demonstração de seu poder, porém, o poder do amor.

É necessária a reflexão para a igreja sobre o Cristo crucificado tendo em vista ser Ele o critério do que significa ser de fato igreja de Cristo e teologia cristã. A relevância disto é tão grande, ao meu ver, pois libertaria do lodo da escuridão pegajosa do engano muitas pessoas que tomam para si a prerrogativa de cristãs e que se descobririam avessas ao Cristo crucificado sendo assim libertas do engano.

Além disto, muitos movimentos ditos cristãos, que buscam sua identidade no cristianismo histórico, no entanto, não conseguiriam passar pelo cânon, ou pelo crivo, se este for de fato o Cristo crucificado; seriam desmascarados. É algo que considero benéfico pois a permanência no erro seria apenas possível pelo consentimento consciente com o erro. O que faz da conversão algo genuíno e da apostasia também.

Podemos reforçar esta ideia com as palavras de Jürgen Moltmann, em seu livro O Deus Crucificado:

“As igrejas, as teologias e a fé, devem recorrer ao Cristo crucificado, se quiserem ser cristãs. Fazendo isto, estão recorrendo ao mais rigoroso juiz, e ao mais radical libertador da mentira e da vaidade […]. A palavra da cruz é o critério da veracidade da igreja, ao passo em que representa também, a mais dura crítica à sua falsidade.”

Se temos a certeza de quem somos não precisamos ter medo da verdade, pois se somos quem de fato dizemos ser, isto ficará evidente diante do critério que é Cristo crucificado e da palavra da cruz. Diante do amor de Deus revelado em Jesus Cristo na cruz, e mesmo diante da radicalidade que ela representa, a alegria e a adoração fluiriam de nosso interior em direção a Deus pelo gozo da justiça, paz e liberdade.

A verdade só é um problema para aqueles que amam a mentira de ser quem de fato não são. Agora, se não formos quem pensamos que somos a verdade nos libertará. Então a alegria e adoração fluirão de nosso interior em relação a Deus, pelo gozo de ser participante da vida ressurreta, a qual só é possuidor quem foi unido com Cristo em sua morte e ressurreição.

O Cristo crucificado, a cruz e a palavra da cruz, deste modo, se fazem relevante sempre. A Cruz continua jovem, atual, diária, necessária e eterna. A meditação teológica sobre ela e sua implicações são de fundamental importância para a igreja local e brasileira em nossos dias, quem sabe para a igreja global. Para que aqueles que por ventura estão se desviando do foco possam de novo ouvir o chamado gracioso e libertário de Jesus que diz: “se alguém quiser”. Se a nossa resposta for sim, “queremos ser igreja de Cristo” ou “cristão” precisamos dar crédito a palavra do próprio Cristo.

Não tem como sermos igreja de Cristo nem cristãos a não ser pela negação de si, ou seja, a desilusão completa e o fim de nós mesmos que a cruz representa, e isto de uma vez por todas e diariamente, concomitantemente. E nos entregarmos ao amor e ao governo de Cristo com alegria. Para que a vida de Cristo possa se expressar em nós em testemunho de vida para o mundo.

A reflexão se faz necessária também porque muitos perceberão que não tem sequer a condição de abandonar a cruz, pelo simples fato de não a conhecerem. Porque o que vivem não é e nem nunca foi cristianismo, ou melhor, vida cristã. Perceberão que o Cristo crucificado, que é loucura para os gregos e escândalo para os judeus, ou para a religião, é a antítese do Cristo a quem eles dizem servir. Do mesmo modo que Jesus frustrou a expectativa messiânica dos judeus, o Cristo crucificado frustrará a percepção do Cristo que eles têm.

Diante disto só lhes restará duas alternativas, a conversão para a vida, ou trilhar o caminho da religião que dá para a morte. Sabendo que somente um Deus furioso em amor e sem outra alternativa legitima poderia permitir a si mesmo ser crucificado para salvar quem quer que seja. Somente Aquele que tem todo poder, mas que porém é amor, permaneceria na cruz depois de tantos insultos e convites para descer, sendo Ele o Todo-Poderoso. Somente o Deus revelado em Cristo se propôs a isto, o Deus do evangelho. Em contra partida, o deus da religião jamais subiria a cruz, nem seus seguidores. Por Alexandre Chaves.

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