IGREJA BOA PRA DIABO

Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei.” João 2:19”

A pressão do tempo e também das tradições humanas, além de uma predisposição por segurança, aliada à falta de senso de continuidade histórica, muitas vezes nos colocam em risco quando o assunto é o evangelho e seus desdobramentos.

Juntam-se a isto a cadeia do politicamente correto e a falácia da unidade a qualquer custo, e está pronto o cenário da grande apostasia anunciada para os últimos tempos. Tudo isto chega até nós com o discurso da sabedoria humana, daquilo que é plausível, que mantém a ordem, o status quo, o bom convívio e o evitar perseguições.

Porem, isto normalmente à custa da fidelidade ao evangelho. Além do mais, não foi assim que aprendemos a Cristo, pois quem vive pelo evangelho não tem como objetivo manter a ordem deste mundo, a manutenção dele, o bom convívio e muito menos não ser perseguido por ele. “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Mateus 10:34”.

Se estes cuidados influenciarem nossa vida cristã, como foi dito, isto custará a fidelidade ao evangelho pelo simples fato de que o evangelho é uma pessoa, a pessoa de Deus entre nós e em nós. Se não toleraram a fidelidade de Jesus ao Pai, também não podemos esperar sermos tolerados pelo mundo quando somos fiéis ao Pai. Se for este o caso, ou o mundo se converteu a nós, ou nós ao mundo.

Por isto, a única maneira do evangelho ser aceito por este mundo de mentira sem que para isto aja conversão à verdade que é Cristo, é se fizermos do evangelho uma mentira, ainda que com cara de verdade. Sabe, algo mais palatável, menos radical, algo do tipo: “Deus é bom o diabo não é ruim”.

O problema é que isto não passa de uma impossibilidade, pois não existe outro evangelho, como também não existe neutralidade no evangelho. Foi Jesus quem nos ensinou isto quando disse: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha. Mateus 12:30”. E Paulo também disse posteriormente: “o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo”. Gálatas 1:7.

Outra questão que precisamos considerar é que, ser cristão e não ser perseguido é o mesmo que não ser cristão, pois a palavra de Deus nos ensina que: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. 2 Timóteo 3:12”.

Assim sendo, qualquer tentativa de conciliação com o mundo e sua religião constitui-se rompimento com Jesus Cristo e Seu evangelho.

Para ilustrarmos isto, podemos atentar para a cena da qual retiramos o texto base deste estudo. Vemos que Jesus não poderia estar preocupado consigo para tomar a atitude que tomou, e nem esperar dos contrariados pela indignação chicoteante do evangelho encarnado, aprovação ou diplomacia.

A sua intenção não era unir o Espírito do evangelho ao espírito do templo, posto que jamais haverá unidade entre aqueles que por natureza se opõem absolutamente em tudo; e muito menos um caminho diplomático para que pudesse exercer Seu ministério em paz. Não, pelo contrário, Jesus anunciava a necessidade sine qua non de conversão do espírito maligno do templo ao Espírito Santo do evangelho.

O problema é que isto arranca do templo, e dos que servem ao seu espírito de mentira, o status de indispensável para a relação com Deus. A trindade, o Deus que se revelou a partir de Jesus, não precisa de templos, porque se assenta no céu e descansa seus pés sobre a terra e, mais do que isto, deixa claro que não os habita. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; Atos 17:24.

Quem precisa de ambientes com certa infraestrutura, aos quais damos equivocadamente o status de templo, somos nós. Sim, nós que não queremos cantar ao relento e nem na chuva. E isto não está errado, errado é associar o nome de Deus a tijolos amontoados, ainda que de ouro, como se Deus dependesse daquilo para Ser.

Quem se esconde nos templos feitos por mãos humanas são os ídolos, e quem depende do templo para Ser é o ídolo que nada é. Para nós deve restar a consciência clara de que viver neste espírito não é fé cristã. A fé crista é a Fé da doação, é a fé da negação, é a fé da partilha, a fé do Cordeiro com as marcas da degola, a fé da cruz, a fé do Deus que desce para servir e diz que seus discípulos seriam aqueles que fariam o mesmo.

A fé dos que querem Deus por Deus, e por que Deus os quis primeiro.

O problema deste tipo de fé cristã é que o evangelho da cruz não vai de encontro aos anseios dos povos, e mais especificamente do povo brasileiro. (João 5 e 6). Não vai de encontro às expectativas do povo, porém salvaria este povo.

Salvaria o povo desta corrupção maldita, desta exploração de impostos que se perdem nas cuecas de muitos políticos. Salvaria o povo dos hospitais lotados, sucateados. Sim, o evangelho da graça de Deus em Cristo Jesus é o único poder com o qual Deus conta e do qual Paulo não se envergonha, que pode de fato salvar nossa nação, judeus, gregos e troianos. “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”. Romanos 1:16.

Quando olhamos para o cenário proposto em João 2, podemos perceber que a intenção de Jesus ao chicotear os mercadores do templo, na realidade, é expor a maldade de se usar o nome de Deus como disfarce para a perversidade. O objetivo era virar a mesa, buscar a destruição do templo e não sua construção, “Derribai este templo”.

Assim fazendo, não haveria mais teto para o espírito anticristo e anticruz, de modo a deixá-lo ao relento, vagando tomando sol na moleira sem lugar para habitar. O problema é que muitos que preferem o espírito da religião ao Espírito Santo de Deus não o quiseram, e muitos em nossos dias também não o querem. “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”.João 1:11.

Isto se torna um problema, pois perpetua na história o lugar de habitação do mal com cara de bem, nos forçando a conviver com isto, se bem que conviver não é o problema, Jesus conviveu com isto por toda a Sua vida aqui. O problema é vender a alma a este sistema, para salvar a vida.

Neste caso, os corações dos homens, que por amor à mentira rejeitam a verdade, passam a ser o templo do mal. São estes os que aceitam até cultuar a Deus, desde que continuem sendo deuses em suas vidas. Muitos constroem suas identidades em órbita da ideia de Deus, dos valores de Deus, mas rejeitam veementemente a revelação do Cristo crucificado.

É justamente neste ponto que precisamos estar atentos. Pois rejeitar a Cristo não é o mesmo que rejeitar a religião cristã. Muitos dos que abraçam a religião cristã e pagã de nossos dias, não querem absolutamente nada com o Cristo crucificado. Por esta razão, os filhos de Deus devem sempre manter uma atenção redobrada e um constante autoexame, “Examine-se, pois, o homem a si mesmo” pra não se acostumar com o espírito do tempo.

Nós estamos sujeitos, mesmo como regenerados, a alimentarmos pensamentos e a defender valores que ferem o Espírito do evangelho, ainda que tidos como valores bons. Do contrário a palavra de Deus não nos alertaria dizendo: “Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo”. 2 Coríntios 11:3.

Segue por esta razão a tensão que existe entre o evangelho e a religião. Da pregação dos que são bem quistos por todos, reconhecidamente contados entre os homens de bem, e a pregação daqueles que incomodam, daqueles que são tidos como loucos por pregarem a loucura da cruz; que não se impressionam com nenhuma obra de justiça humana, por que sabem bem o que vai dentro do homem.

Os que pregam a loucura da cruz sabem que não vale a pena ceder à pressão que sofrem de também serem queridos por todos, posto que vivem para agradar um, o Deus vivo. Além do mais, possuem a consciência de que a maioria daquilo que chamamos igreja em nosso tempo e em nosso país, serve ao espírito do templo, ansiando por um Deus que não lhes deixe sofrer, e não por um Deus que sofra com eles. Pois seu anseio não passa pelo relacionamento com Deus, e sim por sua usura de Deus, querem Deus não pelo que Ele é, mas por algo que Ele pode dar e fazer.

Sem que haja conversão deste caminho jamais verão o Reino de Deus, e jamais conhecerão ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Sem que haja conversão de fato estarão aprisionados aos ídolos com nome de Jesus, que dependem do templo para Ser, pois sem nada de concreto que os represente fica o nada representando quem eles são de fato, pois assim nos ensina as escrituras, os ídolos nada são. “Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só”.1 Coríntios 8:4.

Mas como se converterão sem crer? E como crerão se não há quem pregue? Que o Senhor levante pastores segundo o seu coração, que não queiram encher suas igrejas de gente vazia ou aumentar sua clientela e seus escravos em potencial, para num segundo momento, negociar apoios políticos com a alma deste povo, enquanto os profetas são calados em nome da unidade cristã, e outros seguem o caminho de Balaão. Que o Senhor levante pastores que queiram ser contados entre os loucos que anunciam o evangelho do Cristo crucificado!

Que o Pai nos livre de como igreja servimos ao espírito do templo e do nosso tempo, e nos faça adoradores do Deus que é. Que é Espírito e que portanto, pode ser adorado em cada um que ganhou um espírito novo no qual Deus habita, que não esta refém das geografias posto que o Deus vivo vive em nós como está escrito. “Respondeu Jesus: Se alguém me amar, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e faremos nele morada”. João 14:23.

Por Alexandre Chaves.

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