O Aprendiz: qual a vantagem?

A vocação ao aprendizado.

Não podemos tratar da questão do discipulado, tema que é muito evidente dentro da teologia neo-testamentária, sem buscarmos, a partir dos escritos do novo testamento, a questão da vocação em si. Tendo como base o texto de Mateus 4:18-22 enfatizaremos e discutiremos circunstâncias trazidas pelos textos no momento da vocação.

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“Caminhando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos,Simão , chamado Pedro, e André, que lançava as redes ao mar, porque eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então,eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos,Tiago filho de Zebedeu,e João, seu irmão,que estavam no barco em companhia de seu pai, consertando as redes; e chamou-os. Então eles, no mesmo instante, deixando o barco e seu pai, o seguiram.” Mateus 4:18-22.

O texto, a princípio, parece deixar escapar informações que pudessem de alguma maneira facilitar o entendimento da cena que estamos presenciando através da leitura. Mas, ao mesmo tempo em que nos parece faltar informações algo acontece, mesmo que de maneira contraditória, pois esta mesma falta de informações acaba por nos comunicar e transmitir toda a força do chamamento de Jesus como o Cristo.

Pessoas envolvidas em seus afazeres, suas atividades profissionais, junto aos seus familiares que, de repente, diante da vocação do Cristo (João 1:45) parecem não pensar nas implicações deste chamamento, ainda que questões relacionadas ao contexto social da época possam ser evocadas como meio explicativo de tamanha obediência. Podemos sublinhar, por exemplo, o chamado de um mestre, como Jesus, dirigido a pessoas simples que foram excluídas e marginalizadas pela sociedade – considerando que tal chamado poderia significar a oportunidade de aceitação desejada e jamais obtida até então. Neste caso, podemos imaginar o peso que esse chamado exerceria.

Não podemos, contudo, minimizar esta cena e a obediência que eles manifestaram, tratando isto simplesmente como uma questão social. Pois, também, as questões sociais, neste caso, poderiam exercer pressões contrárias à obediência pura e simples que eles manifestaram em relação ao chamado de Jesus. Para fortalecer o que queremos dizer, destacamos que seguir a Jesus naquele momento implicaria necessariamente em rompimentos de ligações fraternas, bem como o abandono de uma estabilidade profissional já adquirida. Estas questões poderiam inviabilizar uma resposta positiva ao chamado de Cristo para o discipulado, pois para isto teriam que passar por cima de questões afetivas profundas e abrir mão de algo seguro para se dedicarem a algo incerto.

Porém a cena que vemos, diante da palavra manifestada por Cristo “segue-me!” é a seguinte: eles decidem, em um ato simples, pela simples obediência.

Isto nos parece um tanto insano. Para a razão humana pós-moderna que teme as incertezas ainda que mergulhado nelas, e que vive como valor para reger a vida, a lógica da pseudo-segurança dada pelo mundo, usando a análise do seguro ou inseguro para tomar suas decisões, torna-se muito difícil compreender uma atitude como esta. Ademais, para o gênero humano caído, decisões como esta, na grande maioria das vezes, não devem ser tomadas sem antes nos cercarmos de todas as informações que nos possibilitem avaliar com segurança os prós e os contras objetivando apenas interesses pessoais e vantagens que podemos obter.

Portanto, é extremamente difícil ao entendimento humano pós-moderno a compreensão de tal atitude que se manifesta em imediata obediência. Por esta razão é que constantemente estamos sujeitos à tentação de cedermos aos mecanismos que desqualifiquem a ação que os pescadores tiveram, ou que explique, por meio da lógica citada anteriormente, a loucura da obediência simples. Isto traz à tona algo quase latente: não nos parece admissível o pensamento que coloque a pessoa de Jesus Cristo como suficiente para justificar tal ação.

Sobre isto argumenta D. Bonhoeffer: “a resposta ao discipulado não é uma confissão oral de fé em Jesus, mas sim ato de obediência. Como é possível esta seqüência imediata de chamamento e obediência? Para a razão natural isto é chocante, e ela se esforça para separar estes elementos tão intimamente ligados; é preciso interpolar, explicar qualquer coisa; seja como for, é preciso encontrar uma intermediação psicológica, histórica. Pergunta-se tolamente se o publicano (no caso de Levi) não conhecia a Jesus antes, estando assim já preparado para segui-lo tão logo ouvisse o chamado. O texto porém, mantém-se teimosamente mudo acerca deste ponto, dando toda a ênfase à seqüência imediata de chamado e ação. Não lhe interessam razões psicológicas para explicar as ações piedosas de um ser humano. Por que não? Porque para esta seqüência de chamado e ação só existe uma razão valida: o próprio Jesus Cristo.”

Que Jesus, e Ele somente, seja sempre a razão do nosso segui-lo.

 

Na graça bruta d’Aquele que, ainda que tenha tudo, não possui nada mais valioso a nos dar que Ele mesmo.

Alexandre.

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Uma resposta para “O Aprendiz: qual a vantagem?

  1. Deus me escreveu,selou no SEU NOME, me enviou e formou no ventre de minha mãe. Adoro Deus Exalto o Filho CRISTO MEU Salvador e Mestre que me levou pelo Caminho da Verdade de volta ao Pai. Eu nunca fui Santa nunca prestei e nem me garanto, fiquei uns 20 anos afastada do templo. A Verdade é que dependo do Amor e misericórdia do meu Criador e Pai para, diariamente pedir Sua Benção e apreender dar Graças. Rendo as honras e Glorias a DEUS que me ajuda e me consola com Seu Santo Espirito, que Revela a Sabedoria dos Altos Céus, Palavra de Deus, vontade de Deus. Sou de Cristo e sou totalmente dependente de Cristo para ser o que sou. Adoro Deus que me amou primeiro e me resgatou. As Glorias pertencem a Deus.Sua Ordem é,em tudo dai graça, em tudo. Rogo por mim e por todos os Santos de Deus em nome de Cristo Jesus,amem.

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