Como se mata uma igreja?

Abandoned Desert Church

Toda igreja quando começa é sempre um processo de expansão. Normalmente começa com um grupo pequeno com um amor pela Missio Dei, cheia de incapacidades, incompetências e carências, porém com um espírito de dependência e intrepidez, dados pelo Espírito Santo mediante a fé de Cristo em Cristo. Com o passar dos tempos a tendência é a acomodação e a contemplação do “sucesso”; ficamos admirando com as bênçãos de Deus e começamos a ficar com medo de perdê-las. A partir daí o Espírito intrépido dá lugar a um espírito covarde.

A consciência da incompetência que gerava uma dependência de Deus é substituída pela capacidade humana, que se esmera em salvar o que não pode ser perdido. A carência passa a ser coisa do passado e o espírito de Laodicéia nos invade, e começamos a nos preocupar com a possibilidade de um dia poder ter falta e nos assustamos com a fato de não poder mais usar a expressão “Estou rica e abastada e de nada tenho falta”.

Quando a porção que recebemos de Deus serve para nos distinguir de outros grupos ou pessoas e de nos proteger de suas influências, em vez de gerar em nós o amor e a disposição para a entrega em compartilhar o pão nosso de cada dia (Cristo), e a ousadia ou intrepidez de sair em direção a Samaria, Judeia e até os confins do mundo, estamos morrendo, sofrendo de um câncer silencioso assintomático, que não da febre e nem hipotermia, antes nos deixa mornos.

E neste estado, mesmo em detrimento de tudo parecer bem, quando o medico dos médicos olha para a dita igreja chega, ao seguinte diagnostico:

Por ficardes entenebrecidas com sigo mesma, ficaste cegas para o Reino de Deus, chamando infelicidade de felicidade, miserabilidade de abundância, pobreza de riqueza e aquilo que para Deus é nudez de vestes talares. Seu câncer esta avançado e a menos que busque em mim um milagre, morrerás.

A igreja tende a morrer, quando perde a identidade de organismo vivo, móvel e itinerante. Como quando se muda o paradigma do tabernáculo de Davi móvel para o templo estático de Salomão. Neste viés institucional todas as decisões buscam a sabedoria humana e jamais a loucura de Deus. E como diz H.R Niebuhr: “Tal igreja passa a ser conservadora e não progressista, passa a ser mais ou menos passiva sucumbindo a influencias externas, e não ativa, influenciando em vez de ser influenciada. Tal igreja passa a olhar para o passado, e não para o futuro. Se torna ansiosa com sua própria segurança olhando para o que em tese conquistou, e jamais assume riscos, buscando sempre resguardar suas fronteiras em vez de cruzá-las, como vocação natural da igreja de Jesus Cristo”.

Quando comparamos a igreja que desapareceu em Jerusalém, e a igreja que se perpetuou em Antioquia, por sua vocação missionária em todas as outras comunidades que nasceram deste espírito que se doa, se arrisca e que rompe fronteiras, como aqueles que respondem a vocação de ser igreja dada por Cristo de ir por todo mundo enunciando o evangelho, percebemos diferenças.

Bosch dizia que: “ O espírito pioneiro da igreja de Antioquia, ocasionou algumas inspeções por parte da igreja de Jerusalém. Estava claro que a preocupação do partido de Jerusalém não era a missão, e sim a consolidação; não a graça, e sim a lei; não cruzar fronteiras, e sim fixá-las; não a vida, e sim a doutrina; não o movimento, e sim a instituição”

Se não discernimos o tempo, com o passar do mesmo a igreja passa a se institucionalizar cada vez mais e, como aconteceu no passado, suas principais preocupações passam a ter a ver com o manter uma boa avaliação de sua imagem, com a sobrevivência da estrutura, com o conforto dos membros, com questões de quem pode se batizar ou não. Vai ficando cada vez mais antropofágica para manter sua vida dentro de seus muros e cada vez menos compromissada com o mundo fora dos seus portões.

É isto que mata uma igreja. Se o diabo quiser acabar com uma igreja que lhe dá trabalho, sugerirá à sua liderança que faça de tudo para protegê-la, para fortalecê-la, para engrandecê-la, ou seja para salvá-la. Mas a palavra de Deus nos ensina que: Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará. Lucas 9:24. E isto não vale só para indivíduos, vale para o corpo todo, ou seja, para a igreja.

Na graça bruta dAquele que é a vida da Igreja,

Alexandre.

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Uma resposta para “Como se mata uma igreja?

  1. O que fazer? Quando o Armenianismo tosco e o legalismo estão profundamente arraigados?
    Não sou cliente de igreja, não quero apenas ir para outra comunidade. Quero ter as ferramentas para lutar, para que o evangelho da graça que traz a paz seja apregoado.

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