quem se santifica pra ver Deus nunca o viu e nunca foi santo (parte 1)

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Segui a paz com todos, e a santificação,

sem a qual ninguém verá o Senhor”.

Hebreus 12:14.

Há algum tempo tenho meditado nos textos de Gênesis capitulo 12 a 22, com o intuito de analisar o tratamento de Deus com Abraão, entendendo que Abraão representa um protótipo da relação de Deus conosco. Tenho abordado vários aspectos desta relação com a igreja, desde a vocação de Abraão até à sua total rendição à vontade de Deus na entrega de Isaque. Acerca deste episódio gostaria de destacar um detalhe importantíssimo. Nesta altura da caminhada, Deus se abstém de dar informações complementares que pudessem representar vantagem ou coação para Abraão.

Entendo que Deus faz isto, pois tendo em vista anos de caminhada, já não era mais aceitável sustentar esta relação na base das vantagens. Outra possibilidade seria a coação pelo medo, expediente muito comum em nossos dias praticado por alguns que se dizem usados por de Deus. Algo que para mim é perfeitamente possível, meu único questionamento e não julgamento é se Deus os conhece, pois aonde o conhecimento verdadeiro de Deus chega, o medo necessariamente se desfaz.

Penso que a esta altura a caminhada por si já era o suficiente para ter ensinado a Abraão o caráter de Deus. Daqui para frente todo posicionamento teria que ser tomado com base na liberdade, no conhecimento relacional de Abraão com Deus e na confiança ou desconfiança que anos desta relação pudessem ter gerado. Tudo isto sendo vivido no espírito de abandono de si mesmo a Deus que a cruz representa. Sem lógicas, sem plausibilidades, sem sentido, pura loucura para o homem natural.

Na verdade, se fosse esta mentalidade tacanha da vantagem que ainda dominasse Abraão, ele não teria como dizer sim a Deus. Pois tudo o que Deus tinha feito no sentido de proteger e prosperar Abraão, e também o que faria em sua história, estava relacionado com Isaque. Toda a prosperidade de Abraão não teria sentido, se não houvesse herdeiro, para quem seria? É esta falta de sentido que ele mesmo, Abraão, apresenta anteriormente a Deus quando diz: “Então disse Abrão: Senhor DEUS, que me hás de dar, pois ando sem filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Eliézer?” Gênesis 15:2.

Alem disto, o futuro de Abraão também estava atrelado ao futuro de Isaque, pois Deus havia dito:“…porque em Isaque será chamada a tua descendência”. Gênesis 21:12. Deste modo, fica claro que Deus não está condicionando a obediência de Abraão a mais uma bênção, do ponto de vista humano, pelo contrario, está lhe apontando o caminho da cruz, como faz com todos aqueles que são chamados ao discipulado de Cristo.

Deus, além de não prometer nada, ainda coloca em risco toda caminhada de Abraão até ali, quando diz:

Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. Gênesis 22:2.

Neste ponto não há mais nada que justifique o sim de Abraão a Deus, a não ser o próprio Deus. Sua amizade e relacionamento com Deus, que gerou conhecimento, que por sua vez gerou confiança neste Deus único. E mesmo em face do absurdo pedido, sabia que este pedido não expressava o caráter do Deus que o escolheu para amigo, desde Ur na Caldéia.

Esta superação de Abraão de uma mentalidade anticruz e antiCristo, que tem como viés interpretativo para tudo o próprio eu, que até tolera uma parceria com Deus, desde que isto represente alguma vantagem ou glória, mas que porém é incapaz de uma entrega absoluta. Entrega esta que expressa o Espírito de Cristo e o significado da cruz, esta superação deve ser também nossa experiência de superação.

Na verdade é isto que abre nosso entendimento para o conhecimento e validação de tudo o que é de Cristo ou cristão. Como diz Jürgen Moltmann: “…O Cristo crucificado é o critério de tudo aquilo que podemos chamar cristão”. E também “… As igrejas, os crentes e as teologias precisam tomar isto ao pé da letra. A palavra da cruz é o critério da verdade a cerca deles, e por isso também, a maior crítica à sua falsidade.”

Aqui está o ponto que quero tratar neste texto. Não importa o que for, pode ser a bondade, a verdade ou o culto. Se isto se apresenta em minha direção, em meu favor é do diabo. Se vem como busca do bem pra mim como expressão de autossalvação, se o pão é meu e não nosso, nos tornamos o diabo.

Agindo assim, cogitamos apenas das nossas coisas, das coisas e dos interesses humanos. Se a bondade visa à vantagem então é má. Se a verdade do que falo visa esconder a mentira que sou, a verdade torna-se a mais perversa das mentiras. Se vou ao culto para obter alguma vantagem pra mim, não é a Deus que cultuo. (continua quinta-feira…)

Na brutal (e bela) graça de Cristo,

Alexandre.

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Uma resposta para “quem se santifica pra ver Deus nunca o viu e nunca foi santo (parte 1)

  1. Muito bom, muitas vezes me coloco no lugar de Abraao e penso que ainda tenho muito o que aprender sobre confiar em Deus! Contudo, descanso na fé e na certeza de que por meio de Cristo, Ele é fiel para completar a boa obra que começou. O texto me trouxe a memória o versículo Filipenses 2.3 – O qual tenho aprendido a refletir sobre minhas atitudes perante aos outros, tudo é para a Glória de Deus!

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