O deus que até os ateus creem sem saber, e os religiosos creem e nem sabem.

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A vida ministerial às vezes nos coloca em algumas saias justas. Quero a título de exemplificação começar este texto relembrando um fato que me ocorreu quando fui convidado para falar em uma formatura de medicina. Anteriormente já havia ocorrido alguns convites deste tipo. A primeira vez que fui falar no ambiente da academia a atmosfera estava tão densa que quase era possível cortar com faca. Eu havia levado um amigo comigo que diante da minha insegurança me deu o seguinte conselho:

-Comece parabenizando até a terceira e a quarta geração dos parentes e professores e, quando sua adrenalina baixar, aí então você começa a entrar no assunto da pregação do evangelho.

Foi o que fiz. Quando eu disse que estava ali para falar em nome daquele que, sem ele, nada daquilo estaria acontecendo, tendo em vista que a expectativa geral era que eu continuasse com meu discurso bajulacionista, típico destes eventos, a impressão que tive foi a seguinte: parecia que todos eles estavam esperando que eu dissesse o nome do reitor da universidade. Esta expectativa que foi frustrada pela pronúncia do nome que esta acima de todo nome, a saber, Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo.

Imediatamente uma pessoa levantou-se no auditório visivelmente irritada, porém, como não teve coragem de dizer nada, apenas maneou a cabeça demonstrando descontentamento. Procurei fixar meu olhar em outro ponto e continuei meu discurso buscando pregar o evangelho, que era de fato a boa noticia não somente para aquele homem irritado, mas também para cada pessoa ali presente.

Dois pontos me chamaram a atenção neste evento. Em primeiro lugar, a irritação, como no caso citado acima, daqueles que se dizem sem religião ou ateus quando alguém ousa falar o nome de Jesus Cristo. Neste caso especifico foi uma manifestação quase que xiita, talvez a mais verdadeira. Mas existe também aquela discriminação velada, caracterizada por uma paciência e misericórdia soberba de quem tolera os tolos que ousam transcender e falar de um Deus pessoal, encarnado, histórico, como quem diz:

– Os tolos também precisam ser respeitados…

A segunda questão trata-se da dificuldade que estes possuem de se ver. Sim, de ver que a coluna que sustenta suas vidas também é um pressuposto religioso. Só que, neste caso, a fé está na não existência de Deus. E diria mais, a fé está na capacidade do homem ser Deus. Os discursos são de salvação, redenção, ser alguém, ser santo (no sentido de separado), de não ser como os demais homens, serem distintos. Fazer o bem, evitar o mal, ser bom; enfim, discursos típicos da religião. Quando olhamos de modo mais cauteloso para o mundo religioso e o mundo secular, começamos a perceber que, ainda que superficialmente existam diferenças, contudo essencialmente ambos são muito semelhantes.

No mundo existe um deus, na religião também. No mundo este deus ganha sua representação no dinheiro e em tudo o que ele proporciona àquele que o possui, ou seja, a condição de ser e fazer o que se quer. Esta é a definição equivocada de Deus para o mundo. Talvez poucos tenham a percepção de que no fundo se trata de uma divindade falsa. Porém, diante desta divindade até os ateus se curvam: a divindade que quer fazer do homem Deus.

Na religião o deus é o mesmo, e este mesmo deus Jesus o chamou pelo nome de Mâmon. Ele, porém, não se importa em utilizar o pseudônimo que for necessário, Jesus Cristo inclusive. No mundo existem sacrifícios ao deus Mâmon. Sacrificamos nosso tempo, saúde, relacionamentos e vida. O mesmo ocorre na religião, só que a versão religiosa deste falso deus, se satisfaz com coisas mais banais. Subir escada de joelhos, por exemplo, tendo em vista a psicopatologia deste deus sádico. Frangos, bodes, dízimos que, neste caso em especial, ele demonstra seu lado canibal; é o deus dinheiro se alimentando de dinheiro. Greve de fome também é um sacrifício muito apreciado por ele, e muitos religiosos que precisam espiritualizar suas ações chamam esta pratica de jejum.

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No fundo não passa de uma maneira de extorquir esta divindade, ou uma moeda de barganha muito valorizada, pois como deixamos claro anteriormente, este falso deus tem um prazer enorme no sofrimento humano, ou pelo menos em fazê-los de idiotas. Esta visão não se aplica indiscriminadamente a toda prática de jejum, mas somente aquelas que se enquadram na descrição acima.

Em ambas as vertentes esse mesmo deus que se apresenta de modo diferente, de fato usa estes subterfúgios quase como quem faz uma piada dos ignorantes. Seu verdadeiro interesse é a vida humana, ou melhor, acabar com a vida humana seja dentro de uma igreja ou dentro de uma multinacional, tanto faz, desde que a pessoa perca a sua alma.

Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

Mc 8:36.

As pessoas são levadas a isto na esperança de que esse deus as salve, lhes dê segurança, respeito e poder. Acabam na morte, no linguajar religioso, no inferno. Às vezes isto acontece dentro de uma banheira de algum hotel de luxo em Beverly Hills, como aconteceu com uma determinada cantora talentosíssima.

A maioria das pessoas, porém, que servem este pseudo deus, estão mortos e nem sabem, vivem no inferno com medo de ir para lá. Para o mundo, os que têm um fim semelhante ao da cantora famosa são os que se perderam, apostataram da fé no mundo. Não existe outra explicação. Tiveram tudo o que o deusinho do mundo podia lhes dar, mas como de fato eram fracos e não se contentaram com a ilusão e a mentira de ser quem de fato não se é, se perderam. É assim que o mundo os trata: com fingida misericórdia.

Depois fazem espalhafatosos tributos póstumos, exaltando suas qualidades enquanto se encontravam fiéis ao deus do mundo, mas que em face da verdade acerca deste deus que leva a desesperança, se desviaram. Depois, tentam minimizar sua propaganda negativa chamando-os de coitadinhos, desequilibrados e doentes.

– Coitadinho do Michael Jackson, Coitada da Whitney Houston. E o que dizer da Amy Winehouse?

Louca, virou nada. Na religião diriam, foi para o inferno. Porém no mundo, a grande maioria vai morrer uma vida culpada, massificada, cansada e claustrofóbica. Afundada em vícios, depressiva e vazia de significado e relacionamentos.

E isto, por não ter conseguido oferecer sacrifícios melhores e maiores a um deus cada vez mais exigente. Morrem envergonhados pela culpa de serem menos, humilhados diante dos testemunhos daqueles que dentro da ótica espartana, foram mais e melhores. A saber, os fiéis do deusinho tirano que testemunham dizendo:

– Eu sou tudo isto porque eu me esforcei, me dediquei, busquei, fiz das tripas coração e venci.

Estes testemunhos, como na religião, acontecem em programas de tevê. Na religião que serve o falso deus é igual, só que no mundo, enquanto você é convidado a ser “o aprendiz” do Justus. Na religião você é convidado a seguir um líder “justo”, no linguajar religioso, o discípulo ou fiel. Alguns desavisados podem achar que os religiosos estão imitando o mundo. Não, queridos, a religião é o mundo e o mundo é a religião, com dogmas, ritos e clero. Ou as academias não são as sinagogas de hoje, e seu corpo docente, os sacerdotes e escribas da religião do mundo apregoando comportamentos, ritos e sacrifícios com o fim de que seus fiéis sejam salvos, ou se tornem alguém?

As semelhanças continuam. Assim como o ídolo do mundo se importa com as crianças famintas da África realizando seus ajuntamentos solenes com cânticos, palavras de ordem, evocação da justiça e arrecadação. O falso deus da religião faz a mesma coisa, a única diferença é que no mundo estes ajuntamentos solenes são chamados de shows, onde quem participa são os vitoriosos. Na religião, o mesmo ajuntamento muda o nome para culto. Neste caso participam os que têm algum testemunho a dar do tipo,

-Eu era pobre e deus me abençoou e fiquei rico.

Vencedores? Venceu o quê? Vencer em última análise significa ter condições de manter as aparências, de esconder a mentira de quem se é. Vencer é ter condições de fazer uma plástica para esconder sua idade, de comprar um bom perfume para ocultar seu odor. Ou de desenvolver subterfúgios psicológicos para esconder seus medos, taras e perversões, escondendo-se atrás de personagens como pastores, religiosos ou homens de bem. Vencer no mundo e na religião do mundo é abraçar a mentira como verdade e a morte como se fosse a vida.

No mundo vemos corrupção, nas religiões também. No mundo existe uma exigência em relação a conduta, na religião também. Na religião existem os abençoados, no mundo só se troca o nome para os bem sucedidos. No mundo espera-se que seu sucesso aconteça de maneira honesta sem que haja questionamentos mais profundos sobre isto. Na religião é a mesma coisa. Na religião existe a exigência de santidade, no mundo é a mesma coisa, só que agora muda-se para ética. No mundo o mais importante é a aparência, na religião não é diferente.

É desta mentira que o Evangelho quer lhe salvar, seja ela da mentira religiosa ou da mentira secular. Jesus Cristo é a verdade e por esta razão os mundos religiosos e seculares se uniram para matá-lo, porque diante dEle toda mentira dos mundos ficam expostas. Neste caso, ou você é convertido dando razão a Ele ou desejará fazer parte do complô para matá-lo, tirá-lo da sua vida. Mas Jesus Cristo é a vida, Ele ressuscitou. Olhe para Ele na esperança de que a ficha caia e você perceba que viver uma vida de mentira é um antecipar da morte.

“Como?” você pode pensar? Ele é o caminho. Siga por Ele. Entenda que em Cristo crucificado o seu eu de mentira, o self sem vida foi morto. Deus lhe matou para vida sem sentido, e na ressurreição de Cristo Deus lhe gerou de novo para a liberdade e a vida. Eu não vou nem tentar lhe explicar isto, pois só Deus pode fazê-lo.

Fique apenas com estas palavras. Jesus disse: “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA”. Jo 14:6. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Gálatas 2:20.

 Na graça bruta dAquele que não é uma religião, Alexandre.

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