A igreja não é Igreja

A igreja não é Igreja

Não atentando nós nas coisas que se veem. Mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas. 2 Cor 4:18.

É chegado a vós o Reino de Deus. Esta é a declaração de Jesus que inaugura o governo de Deus em nossas vidas. Nós sabemos que o Reino de Deus ainda não está pleno neste mundo, mas deveria estar em nossas consciências. Nós que professamos nossa fé em Cristo e que dizemos que César não é nosso senhor e que só há um Senhor: Jesus Cristo.

O mistério que Cristo nos mostra em sua palavra é que sua igreja é o seu corpo, e que Ele é o cabeça do corpo todo. E é Ele quem deve governar e dirigir as ações do corpo. Infelizmente nas relações humanas há a necessidade das estruturas e das instituições. Nas relações históricas e sociais a igreja é formada de organismo e organização: uma mescla entre corpo místico de Cristo e corpo estrutural e social da instituição religiosa.

Alguns tentam atacar a instituição como se fosse possível para a igreja existir enquanto comunidade de fé sem a organização. Para isto citam como exemplo a igreja primitiva como se ela fosse desprovida de organização, o que é uma ilusão e uma falta de conhecimento. Pois onde há distinções de funções, regras normativas, arrecadação, aí já se instalou uma organização, portanto, uma instituição.

O problema não é a organização em si, o problema é quem tem a primazia. Ou seja, até que ponto as estruturas estão servindo para o fluir da vida no corpo, ou até que ponto o corpo esta definhando para manter a saúde das estruturas.

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Com o passar do tempo as instituições tornam-se quase uma entidade independente e com vida própria, e as pessoas se esquecem que sua função na igreja de Cristo é de vassala e não de senhorio. Ela deve servir ao organismo vivo que é o corpo de Cristo que somos nós. Não é ela que deve aparecer, é o Espírito da vida que tem a primazia e, no Reino de Deus, as pessoas são mais importantes do que as estruturas. Se uma instituição tiver que morrer para que o corpo de Cristo viva saudável, então que morra. O que não pode é a igreja de Cristo, que somos nós, adoecer para o bem-estar da instituição.

Quando, como igreja, perdemos de vista o Reino de Deus mergulhamos no reino dos homens, onde satanás atua: este mesmo reino que foi oferecido por ele a Cristo e rejeitado por Cristo no capítulo quatro de Lucas. Quando isto acontece, as funções diferentes passam a significar classes de pessoas diferentes, onde uns são mais do que os outros, as regras normativas dos estatutos passam a ser nossa regra de fé e prática, ainda que fira em algum momento as escrituras. A arrecadação passa a ser o objetivo e o centro das preocupações. Neste estágio a instituição toma a primazia e o Reino de Deus, que não se manifesta em visível aparência, fica em segundo plano.

O pragmatismo toma conta, a igreja torna-se uma empresa, onde aqueles que exercem uma função que deveria ser em conformidade com a natureza do seu lugar no corpo e de sua vocação, passam a ser empregados. As relações se dão na esfera institucional e o meio para conseguir o que se quer passa a ser o jogo político. Além do que, só o que se vê e se pode contabilizar tem valor. O que segue a partir de então é disputa de poder dado pela instituição para aqueles que se curvam a ela e a adoram aceitando a oferta de satanás que diz:

Dar-te-ei toda esta autoridade e glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. Se prostrado me adorares.

Lucas 4:6-7.

Ainda que o conceito de secularização adotado pelas teorias do Estado moderno permitiu institucionalizar um Estado laico que alterou a concepção de legitimidade, solapando qualquer possibilidade de reivindicação do poder divino pelos governantes. No que se refere ao governo da igreja temos que ter a certeza que só o poder divino é que interessa, bem como a sua vontade, pois onde a vontade do homem tem a primazia o Reino de Deus está em segundo plano.

Devemos também ter atenção ao que a palavra de Deus nos diz quando afirma: não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do nosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Romanos 12:2.

Quando nos colocamos à disposição de Deus para servir a sua igreja que é o corpo de Cristo, temos que ter em mente que é ao Reino invisível de Deus que servimos, não ao reino dos homens, visível. Portanto a nossa maneira de agir, de valorizar e de desempenhar papel de liderança não deve ser nos moldes deste mundo, mas nos moldes do Reino de Deus. Onde se alguém quer ser grande seja aquele que sirva, onde o maior será o menor, onde a força vem da fraqueza, onde buscamos em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça crendo que tudo o que nós precisamos nos será acrescentado por nosso Pai.

Portanto, devemos rejeitar toda forma de poder e glória dada pela instituição e por este mundo e, se quisermos servir a Deus, devemos saber que no Reino de Deus andamos por fé e não por vista. E ainda que isto pareça loucura para o mundo, temos que entender que o mundo não pode receber o Espírito que nós recebemos, porque não o vê e nem o conhece. E ainda que no mundo os homens deem suas vidas para engrandecer as instituições, no Reino de Deus elas são vassalas de Cristo.  E clamar ao Pai pela sua graça de que uma vez iluminado os olhos do nosso entendimento não suceda parecer que alguns de nós haja falhado. E, também, que o Pai nos dê a firmeza de fé para, diante da tentação proposta por satanás e como servos de Cristo, possamos dizer só ao Senhor adoraremos e só a ele prestaremos culto. Lucas 4:8b. Pois diante de quem nós nos prostrarmos deste virá o nosso poder: ou da instituição para a morte ou de Deus para a vida.

Na graça bruta, Alexandre.

2 Respostas para “A igreja não é Igreja

  1. Hoje penso que a institucionalização da fé foi o maior equívoco! Não vejo Jesus fazendo nenhuma consideração sobre isso e entendo que nem mesmo aqueles discípulos entenderam a mensagem de Jesus. À caminho de Emaús temos um exemplo claro disso !
    Já no sec III a Igreja Romana fortalece ainda mais esse equívoco.
    No sec XVI, a Reforma Protestante confronta algumas questões , mas deixa de herança uma estrutura muito semelhante ao Judaísmo e ao Catolicismo Romano: templo=casa de Deus=igreja; sacerdote=padre=pastor;
    rituais=missa=culto
    etc.
    Lógico que estou sendo simplista ddeido a este espaço e tempo, mas poderia citar muitos outros exemplos.
    Saí do Catolicismo Romano querendo conhecer msis a Deus e a Bíblia, vivi 30 anos na Igreja Evangélica achando ser mais coerente e hoje…
    Estou reeducando a minha mente e reaprendendo a ser igreja, na perspectiva de Jesus que, no meu entendimento hoje, não tem nenhuma relação com que, historicamente se deu e, pior ainda, com o que está se dando em nossos dias!

  2. De total acordo, aquela visão de Jesus dizendo as discípulos “mesmo sendo Senhor e Mestre de vocês lavei os seus pés” foi perdida, agora os Líderes e Pastores do rebanho de Deus devem ser estimados e honrados e convidados a perder de vista o Reino de Deus. O que mais me dói nessa tragetoria é os que se opõem a este sistema são sempre marginalizados tidos como rebeldes e revoltados.

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