a graça que nos faz trabalhar e o trabalhar da graça em nós. II

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(continuação – final)

Mas, alguns logo poderão dizer: “Mas nós vivemos no mundo!” Sim, é verdade que vivemos na ambiência do mundo. Mas, se somos filhos de Deus, isto significa que não pertencemos ao mundo. Além do mais, precisamos entender que viver na dimensão do reino de Deus, não está ligado a geografias ou a mudanças externas e geográficas, como Jesus nos ensinou.

Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas sim que os livres do mal”.

João 17:14-15.

Viver na dimensão do reino de Deus, antes, está relacionado a uma mudança de coração, pela instrumentalidade da cruz, onde Deus arranca o coração de pedra e coloca no lugar um coração de carne. Onde a única explicação possível, não explica nada para os que não nasceram de novo e, portanto, não podem ver o Reino de Deus. É uma explicação do tipo: “Eu era cego e agora vejo”. “Dar-lhes-ei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne”: Ezequiel 11:19.

Viver no reino de Deus significa ser livre do mal, para que uma mentalidade má, que desconfia do caráter de Deus possa ser renovada por Sua palavra. “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Romanos 12:2. E Assim, possamos entender que, mesmo vivendo no mundo, somos chamados a manifestar o sabor do Reino, não da pimenta, mas do sal, que produz sede por Deus, para brilharmos como luzeiros no mundo. Luz esta que, ao mesmo tempo em que expõe a maldade do mundo, também é um testemunho da graça, da misericórdia e do amor de Deus, manifestado em Cristo crucificado.

Antes que alguém pense que a intenção deste texto é fazer uma apologia à preguiça, gostaria de contrariá-los, e desde já anunciar que o objetivo é justamente o oposto. A intenção aqui é na verdade enfatizarmos a importância do trabalho no projeto de Deus, e a disposição do filho de Deus em se envolver com o trabalho de Deus e com aquilo que o Pai está fazendo, como bem disse Jesus: “Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”. João 5:17.

Porém, o que vemos muitas vezes são pessoas fazendo do trabalho um meio de se achegar a Deus. Só que neste caso, deus é Mamon, que exige sacrifício e fidelidade. Sacrificamos nossa saúde, nossa família, nossos relacionamentos, os irmãos, nossa comunhão com Deus, nosso serviço no corpo, nosso humor. Tudo isto sem atentarmos para a armadilha em que estamos nos metendo. O trabalho quando feito em Deus é uma dádiva, e a palavra de Deus nos ensina que se alguém quer ficar sem trabalhar, que lhe seja suprimido toda a sua alimentação. “Quando ainda estávamos com vocês, nós lhes ordenamos isto: se alguém não quiser trabalhar, também não coma”. 2 Tessalonicenses 3:10.

A questão aqui, não é trabalhar ou não trabalhar. A questão aqui é de confiança e de glória. Até que ponto a minha confiança está no meu trabalho, e até que ponto minha confiança está em Deus? É saber se meu trabalho é motivado por minha glória pessoal ou é motivado pela glória de Deus, como vocação de Deus em minha vida. São estas as questões que gostaríamos de refletir, além de propor uma mudança de mentalidade em relação ao trabalho, concedendo ao trabalho status de dádiva, e não de sustento, base, alicerce ou fundamento.

A questão aqui é se trabalhamos com a alma descansada, até porque Jesus não prometeu descanso para o corpo, e sim para a alma “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas”. Mateus 11:28-29; sem, contudo, negligenciarmos o fato de que o corpo também precisa de descanso, razão pela qual Deus estipula um dia de descanso para o homem.

Por esta razão, iniciamos nosso texto com as palavras de Paulo:

Mas, pela graça de Deus, sou o que sou, e sua graça para comigo não foi em vão; antes, trabalhei mais do que todos eles; contudo, não eu, mas a Graça de Deus comigo”.

1 Coríntios 15:10.

Que percepção fantástica do trabalho, que encontra na graça o contentamento de ser quem é, ficando livre assim da tentação de querer ser alguém por meio daquilo que faz.

Que maravilhosa visão do Reino, que enxerga na Graça, que já fez tudo e nos deu tudo em Cristo, a Graça encarnada, a grande motivação para fazer o que Deus quer que façamos. Não invalidando a Graça e nem a distorcendo como desculpa para a preguiça, antes, vendo na Graça a grande motivação para o trabalho, e não somente a motivação, mas também como a realizadora do trabalho.

Que possamos viver a cada dia, mesmo em um mundo agitado, descansados em nosso Pai, fazendo parte do que Ele está fazendo, servindo os irmãos com alegria e contentamento, como quem serve o próprio Deus, sabendo sempre que: “Ele fortalece ao cansado e dá grande vigor ao que está sem forças. Até os jovens se cansam e ficam exaustos, e os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam bem alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam”.Isaías 40:29-31. Louvado seja o Pai pelo privilégio de trabalharmos, enquanto descansamos Nele.

Na graça bruta, Alexandre.

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Uma resposta para “a graça que nos faz trabalhar e o trabalhar da graça em nós. II

  1. Como diz um não muito antigo cântico, como Deus o Pai, falando a mim: “o teu trabalho é descansar em mim.” Que o Pai me ensine que todo meu esforço, minhas condições físicas, emocionais, espirituais são provindas de sua graça. Sempre caio na esparrela de ficar me esforçando demais com meu suor, controlando meu emprego, controlando as emoções, achando que sou eu que domino. Misericórdia! Para a liberdade foi que Cristo me libertou. De tudo isto, deste esforço maldito. Chega. Quero gozar desta graça, deste descanso. Seja bendito de Deus meu irmão. Graça e Paz.

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