Eu me arrependo de ser bom!

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Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus em espírito e não confiamos na carne. Bem que eu poderia confiar na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne; eu ainda mais.
 
Filipenses 3:3

Recentemente, ao ver uma entrevista concedida por um poeta e compositor brasileiro, fiquei admirado com um de seus versos que dizia mais ou menos o seguinte: “Deus me livra de mim, e da ruindade de gente boa, da bondade de gente ruim, Deus me livra de mim.” A profundidade de tal poesia despertou minha atenção, especialmente no que se refere a sua relação com a verdade do Evangelho, isto porque, ela revela inicialmente uma necessidade primordial: a de sermos livres ou libertos de nós mesmos.

Porém, sabemos que este é um problema que só a Cruz de Jesus Cristo pode resolver. As palavras do poeta apontam também, para as dificuldades que encontramos, quando tentamos diagnosticar o caráter das pessoas, levando em consideração apenas a aparência e o comportamentalismo externo das mesmas.

Quanta ruindade sendo feita por gente que tenta passar uma imagem de boa pessoa, ou que vende a imagem de bom, ou que tem um compromisso histórico com a bondade! Quantos pastores ladrões, padres pedófilos e crentes desonestos! São tantas as ações aparentemente bondosas, feitas por pessoas de índole duvidosa, que nos deixam tontos e confusos.

Além do que, o clamor por livramento do poeta, diante de Deus, aponta para a farsa da falsa gente boa, ao mesmo tempo em que revela um engodo – uma “ação bondosa” porém, realizada por gente ruim, essencialmente ruim. Algo que encontra amparo na palavra de Deus que diz: Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Romanos 3:10. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. Romanos 3:12.

É difícil para nós admitirmos que Deus possa dar uma inspiração desta a alguém que julgamos estar fora do alvo de sua revelação – se bem que este assunto merece por si só, outra reflexão – ao passo que nós, que nos julgamos íntimos de Deus, ainda usamos o tipo de recurso que Paulo chama de … boa aparência na carne… Gálatas 6:12, para testemunharmos de Deus ou identificarmos o testemunho de alguém.

Isto é bem próprio de uma religião babilônica, judaizante e humanista. Precisamos entender que nós não somos judeus, nós somos cristãos, e que: Não se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam. Mateus 9:17.

Tal procedimento tem origem babilônica e satânica, pois cogita das coisas dos homens e não das de Deus. Neste contexto, a Graça é uma ofensa, pois ela tira toda a condição do homem, ou melhor, do velho homem, de se vangloriar, tendo em vista que o Evangelho da Graça expõe sua realidade de maldade. O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más. João7:7.

A Cruz, pelo contrário, decreta o fim da vanglória humana e do mundo, como um sistema administrado pelo diabo, tendo o homem como seu escravo e serviçal. Assim que, diante da verdade só existe uma maneira de Deus agir em relação ao homem – com Verdade, Graça, Misericórdia e Amor.

Mas, como diz Paulo Brabo: “A graça é tão difícil de definir quanto difícil de acreditar. É por certo um monstruoso escândalo à religião e à moral, porque sustenta, basicamente, que Deus não acolhe as pessoas pela consistência de seu desempenho religioso, ético, social ou profissional, mas unicamente pela sua graça, seu próprio cavalheirismo, graciosidade e inclinação em perdoar.

Segundo a visão de mundo do novo testamento, é apenas devido a esta postura graciosa de Deus que gente sem nenhum mérito, como nós mesmos e o vil ladrão crucificado ao lado de Jesus, pode ser acolhido no Reino sem nenhum trâmite adicional.

A boa nova da graça explica que Deus não escolhe pessoas por seu desempenho admirável, porque do contrário não teria ninguém para escolher. Admirável é Deus.”

Talvez você discorde. Mas, com base em que? Amados, vamos pensar juntos. O que você teria em você mesmo para recompensar o favor de Deus em Cristo? Pense bem. Como você poderia atribuir um preço para recompensar algo que é imensurável em seu valor? Além do que, isto seria uma tentativa de fazer de Deus um negociante e, por extensão, fazer do sacrifício de Cristo uma mercadoria barata.

O pensamento, doutrina ou a maneira de agir, que faz de Deus um negociante, nega a excelência da revelação de Deus trazida em Cristo Jesus, o qual veio nos revelar Deus como Pai. … Pai nosso que estás no céu… Lucas 11:2. E, um Pai, não quer negociar com seus filhos, antes, quer fazer dos filhos, seus herdeiros.

É por isto que a Bíblia vai nos ensinar que, em Cristo Jesus, nós fomos feitos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, logo somos também herdeiros, herdeiros de Deus, e co-herdeiros com Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. Romanos 8:17.

O grande problema é que não somos acostumados com o amor, o Amor de Deus, ou melhor, com um Deus que é Amor. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. 1 João 4:8. Não conseguimos perceber que a grande mensagem da Cruz é Deus dizendo: Eu te amo de uma maneira inexplicável, Eu te amo. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16.

É por este motivo que corremos o risco de abraçarmos o evangelho da percepção ótica, e não o Evangelho da fé. Além do que, temos dificuldades em perceber quando estamos abraçando o evangelho da circuncisão e tudo o que nele está implicado – aquilo que Paulo vai chamar de outro evangelho. É por isso que o apóstolo começa a sua exortação dizendo: Quanto ao mais, irmãos meus, alegrai-vos no Senhor. A mim não me desgosta e é segurança para vós outros que eu escreva as mesmas coisas. Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da falsa circuncisão. Filipenses 3:1-2.

Mas, quantas vezes nos aproximamos de Deus, sustentados pela nossa boa conduta moral e religiosa? E, quantas vezes fugimos de sua presença tendo em vista os nossos pecados? Quando assim agimos, ainda que inconscientemente, estamos afirmando duas coisas. A primeira delas diz que temos algo a oferecer a Deus, e não é o cordeiro Santo imolado, logo, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu em vão. Gálatas 2:21. A segunda diz que o sacrifício de Jesus Cristo é insuficiente para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. 1 João 1:9.

Isto significa negar o sacrifício de Cristo e a graça de Deus. É manter o homem como agente de sua própria justificação, santificação e redenção, e não Cristo, mas a Bíblia sagrada nos ensina que, mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; 1 Coríntios 1:30.

Quando olhamos para o texto de Filipenses 3:4-11: Ainda que eu também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo justiça própria que procede da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição, e à comunhão de seus sofrimentos, conformando-me com Ele na sua morte; para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos. O que vemos?

Vemos um Paulo arrependido de sua bondade. Paulo não está arrependido por ter se prostituído, roubado ou adulterado. Ele se arrepende de sua conduta religiosa impecável, de todas as suas orações diligentes, porém vazias, feitas de si para si mesmo, dos seus jejuns e de seus dízimos, que têm o poder de convencê-lo de que ele não é como os demais homens. Ele se arrepende da sua obediência a um deus que não é pai, de todo o seu zelo religioso contra “hereges” que afirmam que Deus é Amor e age por Graça. Arrepende de ser justo, porém uma justiça que não vem da fé; de ser irrepreensível, de ser bom, porém sem Cristo.

Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Gálatas 2:19-20. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:8-10.

Que Deus nos livre, do nosso principal pecado, a incredulidade, que não nos permite dar crédito à verdade de Deus. Não há nenhum justo, nenhum sequer. Romanos 3:10b. Se formos justos em nós mesmos Cristo de nada nos aproveitará, não entenderemos Sua voz que veio chamar pecadores, e recusaremos sua vocação, por não nos entender como tais.

Muitos recusam o chamado de Cristo, não por causa de suas más obras, e sim, por causa das “bondades” que realizam. São bons demais para se considerarem pecadores e desprezam o chamado daquele que não veio chamar os justos, e, sim, os pecadores ao arrependimento. Lucas 5:31. Que o Pai nos perdoe de sermos bons demais para Ele.

Alexandre

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